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RIELSON LIMA : o crime que o tempo tentou esconder na cidade de ITAGIMIRIM



Doze anos depois, a pergunta que permanece é: por que um crime dessa gravidade demorou tanto para chegar ao tribunal?

  Após quase 12 anos de impunidade, o assassinato do ex-prefeito de Itagimirim, Rielson Lima, finalmente começa a ser julgado nesta segunda-feira (6), no Fórum de Eunápolis. 

O caso, que chocou a região à época, levanta questionamentos sobre a lentidão do sistema judicial diante de um crime com fortes indícios de motivação política. 

 No banco dos réus estão o ex-prefeito Rogério Andrade, apontado como o suposto mandante, e Jamilton Neves Lopes, identificado como possível executor.

 Um terceiro nome, Sandro Andrade Oliveira, segue foragido — fato que reforça a sensação de que o caso ainda está longe de um desfecho completo.

 Execução em praça pública e ascensão política sob suspeita O crime ocorreu em 29 de julho de 2014, quando Rielson foi executado com diversos disparos em plena praça pública, no centro de Itagimirim.

 Um assassinato à luz do dia, com características de execução, que expôs a vulnerabilidade institucional e o clima de tensão política na cidade.

 Na época, Rogério Andrade ocupava o cargo de vice-prefeito — e assumiu o comando do município logo após a morte do titular. Permaneceu no poder por cerca de dois anos e ainda disputou a reeleição em 2016, o que levanta questionamentos sobre o impacto político direto do crime. 

 Motivação:

disputa de poder e dinheiro público no centro da acusação As investigações conduzidas pelo delegado Moisés Damasceno indicam que o crime teria sido motivado por uma disputa pelo controle político da cidade.

 Segundo o Ministério Público da Bahia, houve um rompimento entre os envolvidos por divergências relacionadas a dívidas da campanha de 2012.

 A denúncia aponta que Rielson teria se recusado a utilizar recursos públicos para quitar compromissos políticos — decisão que pode ter custado sua vida. O promotor Helber Luiz Batista sustenta ainda que houve uma falsa reaproximação entre os envolvidos antes do assassinato, indicando possível premeditação. 

A acusação afirma que o executor teria sido contratado para realizar o crime. 

 Prisão tardia e suspeita de “queima de arquivo” 

Rogério Andrade só foi preso em 2020 — seis anos após o crime — evidenciando a demora no avanço das investigações. 

Mesmo com tentativas da defesa de reverter a prisão, a decisão foi mantida até pelo ministro Nunes Marques.  Já Jamilton Neves Lopes foi localizado e preso em Brasília. 

De acordo com a polícia, ele teria deixado a Bahia alegando medo, após a morte do próprio irmão, Alessandro Lopes, em um caso tratado como possível “queima de arquivo” — expressão que reforça a gravidade e o alcance da trama investigada. 

 Defesa contesta e levanta dúvidas sobre investigação 

 A defesa de Rogério Andrade nega todas as acusações e afirma que não existem provas concretas que o liguem ao crime. Em nota, os advogados classificam o cliente como “absolutamente inocente” e rebatem a tese de motivação financeira, alegando que todas as dívidas de campanha foram quitadas e devidamente comprovadas. Os defensores também argumentam que diferentes autoridades policiais analisaram o caso sem indiciar Rogério inicialmente, o que, segundo eles, fragilizaria a acusação.

 Quanto a Jamilton, a expectativa é de que seja assistido pela Defensoria Pública. Até o momento, não houve manifestação oficial de sua defesa. Um julgamento que vai além do crime Mais do que julgar os acusados, o caso coloca em xeque o funcionamento da Justiça, a influência política em investigações e a segurança de gestores públicos em cidades do interior. 

Redação Foconanet

 

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