ONU alerta para afundamento do solo e afirma que o mundo entrou na era da falência hídrica
MEIO AMBIENTE
Um relatório divulgado pela Universidade das Nações Unidas (UNU-INWEH) faz um alerta preocupante: o planeta deixou para trás a fase de crise hídrica e entrou na chamada era da falência hídrica, caracterizada pela perda irreversível de importantes reservas naturais de água.
Segundo o documento, governos precisam abandonar a gestão baseada apenas em respostas emergenciais e adotar políticas de longo prazo voltadas à preservação dos recursos hídricos. O estudo destaca que muitas regiões do mundo já utilizam mais água do que a natureza consegue repor.
Entre os impactos apontados está o afundamento gradual do solo, fenômeno provocado pelo esgotamento de aquíferos subterrâneos. Casos já foram registrados em regiões da Califórnia (Estados Unidos) e em Konya, na Turquia. No Brasil, também existem registros de subsidência do solo, embora, em geral, estejam associados à atividade mineradora.
Em algumas localidades, o solo chega a afundar até 25 centímetros por ano, causando danos à infraestrutura urbana, aumentando o risco de enchentes e comprometendo áreas costeiras e deltas de rios.
O relatório também alerta que, nas regiões costeiras onde os aquíferos são esgotados, a água salgada pode invadir os reservatórios subterrâneos de água doce, tornando-os impróprios para consumo por décadas ou até de forma permanente.
O principal autor do estudo, Kaveh Madani, diretor do Instituto de Água, Meio Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas, afirmou que a realidade exige mudanças profundas na forma como os países administram seus recursos hídricos.
"Este relatório revela uma verdade incômoda: muitas regiões estão vivendo além de sua capacidade hídrica, e muitos sistemas de água essenciais já estão falidos."
Entre as recomendações da ONU estão a redução do consumo excessivo de água, o combate às captações ilegais, a recuperação de áreas degradadas, a redução da poluição, a proteção dos aquíferos e a adoção de políticas de adaptação às mudanças climáticas.
O documento conclui que termos como "estresse hídrico" e "crise hídrica" já não refletem a realidade enfrentada por diversas regiões do planeta, onde a perda dos recursos naturais pode ser irreversível.
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