Clubes reagem à MP das bets e alertam para impacto bilionário no futebol brasileiro
Por FocoNaNet | Redação
Publicado em: 26 de setembro de 2026
A medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que proíbe as apostas de quota fixa e os jogos on-line no Brasil provocou forte reação no futebol brasileiro. Clubes que dependem de patrocínios de empresas de apostas passaram a avaliar os impactos financeiros da decisão e possíveis mudanças em contratos comerciais.
Antes mesmo da assinatura da MP, clubes e federações haviam divulgado um manifesto defendendo a manutenção de um mercado regulado de apostas. O documento contou com a participação de equipes como Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco, Palmeiras, São Paulo, Santos e Cruzeiro, entre outros.
Mais de R$ 900 milhões em patrocínios
O impacto financeiro é significativo. Levantamento publicado pelo UOL aponta que 14 dos 20 clubes da Série A possuem atualmente casas de apostas como patrocinadoras máster, em contratos que somam aproximadamente R$ 910 milhões.
Entre os maiores contratos estão:
Flamengo: cerca de R$ 220 milhões fixos por ano;
Corinthians: R$ 150 milhões;
Palmeiras: R$ 100 milhões fixos;
São Paulo: cerca de R$ 90 milhões;
Atlético-MG: R$ 60 milhões;
Fluminense: R$ 58 milhões;
Botafogo: R$ 55 milhões;
Cruzeiro: R$ 50 milhões;
Vasco: R$ 50 milhões fixos.
Os valores podem ser maiores em alguns casos devido a bônus relacionados a desempenho esportivo e outras metas contratuais.
Bets começam a notificar clubes
A reação não ficou restrita aos clubes.
Empresas do setor começaram a comunicar seus parceiros sobre possíveis mudanças ou rescisões dos contratos diante da nova legislação. Betano, Sportingbet e Superbet estão entre as empresas que notificaram equipes patrocinadas.
São Paulo, Flamengo, Palmeiras, Vasco e Fluminense estão entre os clubes envolvidos nas negociações ou avaliações contratuais. Até o momento, não há confirmação de que esses contratos tenham sido definitivamente rompidos.
No caso de São Paulo e Fluminense, a Superbet comunicou os clubes sobre a possibilidade de encerramento dos acordos caso a nova legislação impeça a atuação das empresas de apostas no país.
Clubes defendem mercado regulado
No manifesto divulgado antes da assinatura da MP, os clubes argumentaram que o setor regulado de apostas se tornou uma importante fonte de receitas para o futebol brasileiro.
As equipes defenderam o fortalecimento da fiscalização, da proteção ao consumidor e do combate às plataformas clandestinas, em vez da eliminação do mercado legal.
O posicionamento também destacou que os investimentos das casas de apostas não chegam apenas aos grandes clubes, mas alcançam equipes de menor expressão, divisões de acesso e outras competições esportivas.
O que muda para os clubes
A MP estabelece restrições que atingem diretamente a publicidade e o patrocínio das empresas de apostas.
Com isso, os clubes terão de avaliar contratos existentes, possíveis rescisões, multas, substituição das marcas e novas fontes de receita.
A dimensão do impacto dependerá também da aplicação da medida e de sua tramitação no Congresso Nacional.
Futebol pode perder uma das principais fontes comerciais
As bets se tornaram, nos últimos anos, um dos principais segmentos de investimento em publicidade esportiva no país.
Segundo levantamento citado pelo SBT News, os patrocínios de empresas de apostas na Série A ultrapassam R$ 1 bilhão quando considerados os diferentes contratos e possíveis bônus.
Para os clubes, a substituição dessas receitas representa um desafio, especialmente porque várias equipes possuem contratos de alto valor concentrados no espaço mais nobre de suas camisas.
A discussão agora envolve não apenas o futuro das apostas no Brasil, mas também como o futebol profissional irá substituir uma parcela importante das receitas comerciais caso as restrições sejam mantidas.
Editorial FocoNaNet
A reação dos clubes está diretamente relacionada ao peso financeiro que as empresas de apostas passaram a representar no futebol brasileiro.
A MP já produz efeitos, mas ainda será analisada pelo Congresso Nacional. Enquanto isso, clubes e patrocinadores avaliam contratos e possíveis alternativas comerciais.
Edição: FocoNaNet
Fonte: SBT News / ge / UOL / Folha de S.Paulo
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