Um clima de medo e tensão tomou conta da Associação 3 de Julho, localizada no km 4 da BR-367, no município de Eunápolis, na Bahia. Pequenos agricultores denunciam ameaças constantes, coações e violência, em meio a uma disputa por terras que possuem alto valor comercial e que já teriam sido negociadas com a empresa Veracel.
Segundo os moradores, famílias estão sendo coagidas a deixar seus sítios sob fortes ameaças. Há relatos de casas queimadas, agressões físicas e tentativas de homicídio. A comunidade afirma que, logo após as famílias serem forçadas a abandonar suas propriedades, os invasores iniciam imediatamente o loteamento das áreas.
De acordo com os relatos, os lotes estariam sendo vendidos rapidamente e transferidos para o nome de terceiros ainda no mesmo ano. Para os moradores, essa prática teria como objetivo dificultar a comprovação de que anteriormente havia um único possuidor da terra, fragmentando a área em vários registros para impedir que se prove a expulsão dos antigos donos. Segundo eles, essa estratégia tornaria quase impossível demonstrar posteriormente o que classificam como roubo de terras.
Um dos casos mais graves envolve o trabalhador rural Genilson dos Santos, que relatou ter sido agredido dentro de suas terras após se recusar a ceder às ameaças e permitir a entrada de pessoas em seu lote. Conforme seu relato, diante da recusa, os envolvidos partiram para a agressão com um facão. Na tentativa de se defender do golpe, o senhor Genilson teve a mão gravemente cortada. Ele afirma que não sabe o que teria acontecido se não tivesse reagido para se proteger. Para os moradores, o caso configura tentativa de homicídio.
Ainda segundo a comunidade, o agressor foi detido, mas acabou sendo liberado no mesmo dia após a atuação de advogados, aumentando ainda mais o sentimento de insegurança entre as famílias.
Há também denúncias de invasões de propriedades, destruição de moradias, intimidação com pessoas armadas, uso de drones para monitoramento e pressão psicológica para que associados assinem contratos já rejeitados em assembleia.
Mesmo com denúncias já encaminhadas à polícia, os moradores afirmam não estar recebendo apoio efetivo das autoridades locais, nem da Prefeitura de Eunápolis, que até o momento não teria adotado medidas concretas para proteger as famílias.
A comunidade, que antes vivia em ambiente de paz e trabalho, hoje vive sob medo constante. O que os moradores pedem é segurança, respeito aos seus direitos e a garantia de permanecer em suas casas sem ameaças ou violência.
Diante da gravidade dos fatos, questionam: o que está sendo feito para impedir esses abusos? E solicitam a intervenção do Ministério Público para investigar, apurar responsabilidades e assegurar proteção às famílias.
Por: foconanet.



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