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REGULAÇÃO DO SUS NA BAHIA PEDE SOCORRO!

 

A crise da regulação do SUS na Bahia voltou ao centro do debate público após novos dados revelarem o tamanho da pressão sobre o sistema estadual de saúde. Pacientes graves seguem aguardando vagas hospitalares, decisões judiciais não são cumpridas a tempo e famílias denunciam mortes enquanto esperam transferência para hospitais com estrutura adequada.

Dados apresentados pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE) ao Tribunal de Justiça da Bahia mostram que ao menos 225 pacientes em estado grave aguardavam regulação hospitalar no estado. Entre eles, havia pessoas amparadas por decisões liminares da Justiça que determinavam transferência urgente, mas sem cumprimento imediato por falta de leitos disponíveis.

O caso que mais chamou atenção envolve um paciente de 64 anos internado em uma UPA de Salvador com sepse, insuficiência renal e baixa saturação de oxigênio. Mesmo após decisão judicial determinando transferência em até 12 horas, ele permaneceu aguardando vaga no sistema estadual.

“Fila da morte”

A demora na regulação passou a ser chamada por críticos de “fila da morte”, expressão usada diante do aumento de relatos de pacientes que não resistem enquanto aguardam leitos, UTIs ou cirurgias.

Em 2024, reportagens apontaram que centenas de pessoas morreram aguardando regulação no estado. Uma das publicações citou 374 mortes associadas à espera por atendimento especializado durante o atual governo estadual.

Além das denúncias de familiares, auditorias e estudos apontam problemas estruturais antigos:

  • falta de leitos hospitalares,
  • escassez de especialistas,
  • concentração de atendimento em grandes cidades,
  • desigualdade regional,
  • sobrecarga da Central Estadual de Regulação.

Pesquisa da Universidade Federal da Bahia (UFBA) já havia identificado dificuldades organizacionais e insuficiência de leitos na Central Estadual de Regulação, apontando que a demanda supera a capacidade operacional do sistema.

Tempo de espera aumentou

Uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA) revelou piora significativa no tempo de espera entre 2019 e 2024.

Segundo o levantamento:

  • o tempo médio de espera cresceu 213%;
  • cirurgia torácica chegou a média superior a 10 dias;
  • áreas como oncologia, hematologia e pneumologia também registraram aumento nas filas.

O relatório ainda apontou desigualdade entre regiões da Bahia e criticou a centralização do sistema estadual de regulação.

Interior sofre ainda mais

O problema é ainda mais grave em municípios do interior, onde pacientes frequentemente precisam ser transferidos para cidades maiores como Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista ou Teixeira de Freitas.

A falta de hospitais regionais especializados cria verdadeiros “vazios assistenciais”, obrigando pacientes a permanecerem em UPAs ou hospitais municipais sem estrutura adequada para casos complexos.

Familiares relatam angústia diária diante da incerteza:

  • sem previsão de vaga,
  • sem transparência sobre posição na fila,
  • sem informações claras sobre transferência.

Governo aponta avanços

Em resposta às críticas, a Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) afirma que houve melhora nos indicadores da regulação.

Dados oficiais divulgados pelo governo apontam que:

  • 71% dos pacientes regulados passaram a ser atendidos em até 24 horas em 2025;
  • houve ampliação de leitos estaduais;
  • mais de 5 mil leitos teriam sido abertos ou contratados desde 2022.

Ainda assim, especialistas afirmam que a expansão não acompanha o crescimento da demanda, principalmente diante do envelhecimento da população e da alta procura por procedimentos de média e alta complexidade.

Saúde pública sob pressão

O debate sobre a regulação do SUS na Bahia vai além da política. Ele expõe um sistema pressionado diariamente por milhares de pessoas que dependem exclusivamente da rede pública.

Enquanto números oficiais mostram avanços administrativos, a realidade nas UPAs e corredores hospitalares continua marcada por espera, sofrimento e incerteza para famílias que lutam contra o tempo em busca de uma vaga capaz de salvar vidas


Editorial Foconanet


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