DESERTO VERDE”: avanço do eucalipto é acusado de secar rios e expulsar vida no Extremo Sul da Bahia
O que deveria ser floresta virou monocultura. O que era diversidade virou silêncio. No Extremo Sul da Bahia, o avanço das plantações de eucalipto está sendo apontado por moradores, ambientalistas e pesquisadores como um dos principais responsáveis por uma transformação profunda — e preocupante — no território.
Chamado por críticos de “deserto verde”, o modelo de expansão da silvicultura tem sido acusado de degradar o solo, reduzir a água disponível e provocar o desaparecimento de animais nativos, enquanto ocupa extensas áreas antes cobertas por vegetação natural.
💧 “Os rios estão morrendo”
Relatos de comunidades rurais se repetem em diferentes pontos da região: nascentes enfraquecidas, córregos intermitentes e rios com volume cada vez menor.
O eucalipto, conhecido pelo rápido crescimento, também é alvo de críticas pelo alto consumo de água, o que, segundo estudos e observações locais, pode pressionar os recursos hídricos — especialmente em áreas com grande concentração da cultura.
Para quem vive no campo, o impacto é direto: menos água para consumo, produção e sobrevivência.
🏜️ Terra cansada, solo empobrecido
Outro ponto sensível é o estado do solo. A repetição contínua de uma única cultura tende a reduzir a diversidade biológica do terreno e alterar sua fertilidade.
Especialistas alertam que, sem manejo adequado, esse tipo de exploração pode levar à degradação progressiva do solo, aumentando o risco de erosão e perda de produtividade — cenário que muitos já classificam como o início de uma desertificação silenciosa.
🐾 Fauna desaparecendo
Onde antes havia mata diversa, hoje há fileiras homogêneas de árvores. Para a fauna, isso significa menos alimento, menos abrigo e menos chances de sobrevivência.
Moradores relatam o desaparecimento de animais silvestres, indicando um desequilíbrio ambiental crescente. A substituição de ecossistemas complexos por monoculturas impacta diretamente a biodiversidade da região.
⚠️ Terras concentradas, comunidades pressionadas
A expansão do eucalipto também levanta críticas sociais. Grandes áreas vêm sendo ocupadas por empresas do setor de celulose, o que, segundo estudos, contribui para a concentração fundiária e redução da agricultura familiar.
Em algumas localidades, pequenos produtores relatam dificuldade para manter suas atividades diante da mudança no uso da terra e da dinâmica econômica.
🏭 O outro lado da história
Empresas do setor afirmam que a produção de eucalipto segue normas ambientais, gera empregos e contribui para a economia regional. Defendem ainda que o manejo adequado reduz impactos e que áreas de preservação são mantidas conforme a legislação.
Redação Foconanet
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