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Presidente da Câmara de Porto Seguro e mais dois vereadores são alvos de operação do MPBA e PF

 

Presidente da Câmara de Porto Seguro e mais dois vereadores são alvos de operação do MPBA e PF

Fonte: Ministério Público da Bahia (MPBA) | Redação FocoNaNet
17 de junho de 2026

O presidente da Câmara Municipal de Porto Seguro, Dilmo Santiago (PL), e os vereadores Derival dos Santos Brito, conhecido como Pepo da Van (União Brasil), e Evanildo Santos Lage, o Van Van da Lage (Avante), estão entre os alvos da Operação Conexão Perigosa, deflagrada nesta quarta-feira (17) pelo Ministério Público da Bahia (MPBA) e pela Polícia Federal (PF).

A ação foi realizada no distrito de Arraial d'Ajuda, em Porto Seguro, e faz parte de uma força-tarefa voltada ao combate à lavagem de dinheiro e ao crime organizado no extremo sul da Bahia.

Segundo o MPBA, os parlamentares são investigados em um inquérito que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de movimentar recursos provenientes do tráfico de drogas e de outras atividades ilícitas. Não houve mandados de prisão nesta fase da operação.

Ao todo, foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão e determinado pela Justiça o bloqueio de R$ 97,79 milhões em bens e valores dos investigados.

Investigação aponta atuação de grupo há mais de 10 anos

De acordo com o Ministério Público, a organização criminosa investigada atua há pelo menos uma década na região sul da Bahia. As apurações indicam que o grupo exercia influência sobre comunidades da região de Porto Seguro, utilizando violência, ameaças e intimidação para manter suas atividades.

As investigações também apontaram que o líder do grupo mantinha contatos frequentes com três agentes políticos do município, que passaram a ser alvos dos mandados cumpridos nesta quarta-feira.

Esquema utilizava "laranjas" e empresas de fachada

Conforme o MPBA, a lavagem de dinheiro era realizada em três etapas. Inicialmente, recursos em espécie eram inseridos no sistema financeiro por meio de depósitos fracionados. Em seguida, ocorria a movimentação dos valores entre contas de terceiros, conhecidos como "laranjas", para dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.

Na última etapa, os recursos eram reinseridos na economia formal por meio de empresas de fachada, dando aparência de legalidade aos valores obtidos de forma ilícita.

As autoridades informaram que as investigações continuam e poderão alcançar outras pessoas supostamente envolvidas no esquema.

Os vereadores citados são investigados e, conforme prevê a legislação brasileira, têm direito à presunção de inocência e à ampla defesa. Eventuais responsabilidades criminais dependerão do andamento do processo e de decisão definitiva da Justiça.

Caso haja condenação pelos crimes investigados, as penas somadas podem ultrapassar 50 anos de prisão, segundo o Ministério Público da Bahia.

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