Lula x Flávio Bolsonaro: cinco grupos de eleitores estão no centro da disputa presidencial
Pesquisas apontam diferenças entre mulheres, evangélicos, idosos, eleitores não alinhados e moradores do Sudeste; levantamentos mais recentes mostram que a disputa segue apertada.
Por FocoNaNet | Redação
Publicado em 20 de outubro de 2026
A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chega à reta final com diferenças importantes no comportamento de segmentos do eleitorado. Pesquisas divulgadas em outubro indicam que a preferência por cada candidato varia conforme fatores como religião, idade, gênero, identificação política e região do país.
Uma reportagem da BBC News Brasil, publicada em setembro e republicada pelo Terra, identificou cinco grupos considerados relevantes para compreender a corrida presidencial: eleitores não polarizados, evangélicos, mulheres, pessoas com 60 anos ou mais e moradores do Sudeste.
Como o levantamento original foi realizado antes do primeiro turno, os números daquela publicação não devem ser confundidos com os resultados mais recentes.
1. Eleitores não polarizados
Os eleitores que não se identificam plenamente com o petismo ou o bolsonarismo podem ter papel importante em uma disputa acirrada.
Em pesquisa BTG/Nexus divulgada em 19 de outubro, 35,1% dos entrevistados desse segmento afirmaram que Lula era o único candidato em quem votariam, contra 31% que disseram o mesmo sobre Flávio Bolsonaro. Por outro lado, 20,1% admitiram que ainda poderiam votar em Lula, mas não tinham certeza, enquanto 21,4% disseram o mesmo sobre Flávio.
O levantamento também registrou rejeição aos dois candidatos nesse grupo: 42,2% afirmaram que não votariam em Lula de jeito nenhum, e 44,1% disseram o mesmo sobre Flávio.
Os dados mostram que a identificação política e a rejeição continuam relevantes, mas parte dos eleitores ainda considera alternativas.
2. Eleitorado evangélico
O segmento evangélico aparece entre os grupos com diferenças mais expressivas nas intenções de voto. Na pesquisa Datafolha divulgada em 15 de outubro, Flávio Bolsonaro tinha 68% dos votos válidos nesse segmento, enquanto Lula registrava 32%.
O resultado representa a preferência declarada pelos entrevistados no período pesquisado, e não uma garantia de comportamento uniforme entre os evangélicos. O grupo reúne diferentes denominações, lideranças, perfis socioeconômicos e posições políticas.
A religião, portanto, é uma das variáveis observadas pelas pesquisas, mas não determina individualmente a escolha de cada eleitor.
3. Mulheres
As mulheres constituem a maioria do eleitorado brasileiro e aparecem como um segmento importante nas análises eleitorais.
Na pesquisa Datafolha de outubro, Lula apresentou vantagem entre eleitoras, enquanto Flávio buscava ampliar seu apoio nesse público. As diferenças entre candidatos podem estar relacionadas a avaliações sobre economia, políticas sociais, segurança, direitos e outras questões presentes no debate público.
É importante lembrar que pesquisas por gênero mostram tendências agregadas: mulheres não formam um grupo politicamente homogêneo, e suas escolhas variam conforme idade, renda, escolaridade, religião e região.
4. Eleitores com 60 anos ou mais
Os eleitores mais velhos também aparecem entre os segmentos acompanhados pelas pesquisas. A reportagem publicada em setembro apontava maior apoio a Lula entre pessoas com 60 anos ou mais nos levantamentos então analisados.
Esse grupo inclui aposentados, trabalhadores ainda ativos e pessoas com condições econômicas e prioridades distintas. Temas como aposentadoria, saúde pública, custo de vida e segurança podem fazer parte da avaliação dos candidatos, mas não explicam, isoladamente, cada decisão de voto.
Os números de setembro, porém, são anteriores ao primeiro turno e não devem ser apresentados como retrato atualizado sem a consulta aos levantamentos mais recentes desse segmento.
5. Sudeste concentra disputa importante
O Sudeste reúne os maiores colégios eleitorais do país e foi apontado pela reportagem da BBC News Brasil como uma região estratégica na disputa.
São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo apresentam realidades econômicas e sociais diferentes. Por isso, o comportamento eleitoral da região não pode ser explicado por uma única tendência.
As pesquisas realizadas em setembro mostravam diferenças entre institutos sobre qual candidato estava à frente no Sudeste. Essa variação reforça a importância de observar a data de cada levantamento, a metodologia utilizada e a margem de erro antes de comparar os resultados.
O que mostram as pesquisas mais recentes?
A pesquisa Datafolha divulgada em 15 de outubro apontou Flávio Bolsonaro com 51% e Lula com 49% dos votos válidos, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Já a pesquisa BTG/Nexus divulgada em 19 de outubro indicou 50,3% para Flávio e 49,7% para Lula, também em situação de empate técnico.
Os levantamentos refletem a intenção de voto no período em que as entrevistas foram realizadas. Não são uma previsão garantida do resultado das urnas.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, as pesquisas por segmento ajudam a compreender a diversidade do eleitorado brasileiro, mas a decisão final cabe aos eleitores.
Edição: FocoNaNet
Fontes: BBC News Brasil/Terra; Datafolha; Exame — pesquisa BTG/Nexus.
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